quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

14 de dezembro de 2011

C.

A estrela que rasgou o céu, enquanto eu imaginava teu banho, me fez arder os olhos.
Aquele feixe de luz, de uma ponta a outra da minha janela era como mãos atravessando minha blusa, beijos recalculando meu corpo. E era o meu desejo, como ímpeto, a viajar pela noite pra te encontrar. E numa fração de segundo, viajei.
Aí, o teu sorriso claro e tímido e tua carinha de satisfação desvendada num “biquinho”...
O teu corpo ainda sendo visitado pelas gotinhas que ficaram do banho e os meus passos em direção ao mergulho em ti.
A toalha no chão.
Um piscar de olhos.
E a estrela caiu.

Saudades, Sam.

sábado, 10 de dezembro de 2011

10 de dezembro de 2011

Sam,

Amanheceu e agora o sol vem me despertar dos delírios de sonhar com você. Chega o dia e com ele sinto seu perfume invadir meu quarto. Abro os olhos e posso, por instantes, te ver aqui ao meu lado. Amanhece e o dia me traz novos devaneios.

Amanheceu e não posso mais te oferecer a lua cheia, o brilho das estrelas e o escuro azul do céu. O dia vem, a noite não é mais nossa, mas saiba que o sol que brilha agora no céu só vem para te aquecer enquanto não podemos nos perder entre pernas e lençóis.

Amanheceu. O céu claro e sem nuvens me lembra que a vida sempre tem uma forma de mostrar que o mesmo fogo que queima e arde, pode tranquilizar se vier acompanhado de um vento com cheiro de folhas secas e gosto de paz. Amanheceu e sua falta queima diferente agora.

Amanheceu e faz um dia lindo agora. Amanheceu e minhas palavras, meu mundo, meus olhos ainda te pertencem. Te ofereço esse sol que sorri pra nós, as nuvens que agora aparecem formando pequenos desenhos disformes, o calor que esquenta teu corpo e o vento que lhe sobe devagar pelas pernas. O dia é teu, é nosso. E se em algum momento o sol se esconder e cair do céu uma chuva fina, você vai saber... sou eu derramando tudo de mim pra te alcançar.


Com Amor,

C.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

09 de dezembro de 2011

C.

Eu quero todas as suas promessas fáceis, toda a vida que podemos nos dar.

Todas as horas de sono perdidas, as madrugadas no telefone, os olhares cortados quase sempre por nossas confissões silenciosas, os suspiros, os beijos, a mão lenta deslizando entre o queixo e a ponta da orelha...

Quero um sonho e te acordar com beijos numa manhã qualquer, mas antes disso, uma noite como esta, pra gente sentar na varanda e eu poder ver todo céu refletido no seu olhar enquanto dedilho canções pra te falar de mim, do que guardei pra te dar.

Mas agora, assim distante de você e com o corpo marcado ainda pelo que pode vir a ser a eternidade ao teu lado, o meu mundo gira e tudo que entra nos meus pulmões é o que ficou do teu cheiro aqui no quarto.

E eu queria, só por um instante, ter você por perto para dividir uma música e num abraço te entregar também as coisas que não sei explicar. Te prender num olhar, depois num beijo e sem tentar entender, te amar...


Amor, Sam.

09 de outubro de 2011

Sam,

Queria poder te dar mais que isso, mas as minhas palavras são o único modo de te alcançar agora, te tocar, te acariciar e beijar teu rosto levemente.

Queria te mostrar o mundo, viajar pelo tempo, visitar outros templos, outros universos, mas só o que posso é te oferecer minha mão e te entregar o meu mundo.

Queria te dar o chão para pisar, a cama para deitar, o sol para te aquecer e o vento que balança teus cabelos, mas não possuo nem mais o ar dos meus pulmões e as batidas do meu coração... você já os tem.

Queria te contar os segredos do universo, te prometer o infinito e te banhar com cada gota de luz que cai sobre nós, mas o único brilho que você pode ver em mim é o dos meus olhos ao encontrar os teus.

Queria te dar a beleza do mar, a leveza das ondas que vão e vem num movimento quase hipnótico e transformar cada grão de areia em felicidade genuína, mas só posso te chamar para olhar nuvens que desenham corações enquanto entrego o meu em suas mãos.

Queria que você pudesse sentir de outra forma, queria realmente fazer minha voz ecoar no teu ouvido, mas agora a única forma de explicar é te fazer olhar para essa lua no céu sem estrelas e perceber, presa num abraço, o amor...


Com amor,
C.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

05 de dezembro de 2011

Querida C.

... E volto às páginas.
Eu poderia pegar o telefone, poderia bater na tua porta, poderia ter agarrado teu braço só pra te fazer ouvir as coisas que preciso dizer. Confesso que até palavras digitadas num documento do word parecem frágeis agora.
Agora que conheço teu jeito, agora que me abrigo no teu peito, agora que decifro teus olhos, agora que por toda parte tem tuas digitais, apenas escrever  parece alguma coisa próxima de ser mesmo frágil demais.
O gosto do teu beijo, que deixou de ser delírio, corrompe meus sentidos. A lembrança do teu corpo não é mera distração, é vício e aquela falta, antes consentida, agora fere, machuca, tira o ar.
E te busco no menos provável, porque em todo resto já é fácil te encontrar. Todo pedaço de mundo vazio de você parece meio mofado como polaróides manchadas, contraditório como um palhaço chorando à beira do palco. O mundo sem você é confuso e me faz arder em culpa.
Eu poderia pegar o telefone, estou mesmo louca para ouvir tua voz; poderia ir na tua casa e te ver estacar surpresa - tão linda que chega doer - ao abrir a porta; ou poderia ter resolvido tudo isso logo cedo antes de me despedir: segurando firme no teu braço, olhando nos teus olhos, mas você me paralisa e me esqueço de como as cores mudam quando nos damos as costas.
Agora essa saudade insuportável e tantas frases fáceis presas na garganta... Eu só queria te dizer, mas volto às páginas.

Sam.




quinta-feira, 10 de novembro de 2011

10 de novembro de 2011

Olá, Sam

Estava com saudade das suas palavras, do seu jeito de me dizer coisas e fazer tremer cada pedacinho meu. Estava ansiosa para te ler e agora mais ainda para te escrever. E é verdade, agora as lembranças fazem parte de tudo e estão por toda parte... cada segundo do meu dia é preenchido com alguma frase, imagem, brincadeira. Nem dos meus carneirinhos você se afasta mais. As lembranças agora são minhas, são nossas.

Não tem como ser de outro jeito e eu nem quero isso. É bom te ter aqui comigo o tempo todo, é quente, é terno e quase real. É bom te sentir dilacerar meu peito e, ainda assim, saber que só você me traz a paz de um abraço quente e de um olhar lindo. E é como se as horas passassem e me trouxesse um pouco de você. Como se cada vez mais você ocupasse uma parte maior do meu coração, que já nem cabe mais em mim. Me sinto, cada vez mais, transbordar e me derramar em você como uma chuva de verão. Cada parte que me falta de mim, cada parte que entrego a você, se separa de mim para encontrar um melhor lugar nos teus braços. E é como se já nem precisasse mais de mim...


Saudade...

C

terça-feira, 8 de novembro de 2011

08 de novembro de 2011

Querida, C.

É tanta falta, e agora, tanta lembrança. Tanta coisa aqui passeando entre o passado, o futuro, o sonho e a promessa. Já nem sei mais onde acaba o que fui e onde começo a ser quem me tornei depois de ter você.

As madrugadas não têm mais o mesmo tom e as manhãs também mudaram de sabor, como mudaram de sabor os risos, os beijos e mudaram de cor os dias, os olhos...

Tudo passou a ter outro sentido depois de você, depois dos teus olhos, depois dos teus lábios, depois que respiramos juntas, depois que a vida ao teu lado passou a durar mais que segundos.

Agora olho em volta e tudo é você. Se fecho os olhos, é o teu cheiro que invade o meu quarto; se saio correndo, é você quem segura minha mão; se me atiro num precipício, é teu o abraço lá embaixo...

E é tanta coisa aqui calada, gritando, pulsando, me maltratando que tudo o que consigo é morar em silêncio num abraço teu ou no poço do teu olhar que me suplica os mais belos gestos. Aqui sou mais feliz, aqui sou mais eu, aqui sou de você.

Acho que demorei tanto tempo pra te escrever de novo por medo. Medo de que essas coisas todas que sinto atrapalhassem as palavras e eu não conseguisse dizer nada e medo de dizer tudo o que sinto e você me achasse mesmo atrapalhada. Tudo bem, eu não estou mesmo sendo muito clara, mas talvez nem precise, acho que entenderia tudo se eu apenas desenhasse um coração e endereçasse a você, mas aí, resolvi escrever e estou aqui dando voltas e voltas e ainda me falta coragem.

Tudo bem. Eu volto para a ideia do desenho...
Love, Sam.