quinta-feira, 24 de maio de 2012

24 de maio de 2012


Ei, Sam

Passei o dia todo pensando numa forma de te dizer alguma coisa. Me libertar da angústia de um silêncio que passei a desconhecer depois de descobrir como é bom te fazer me entender um pouco mais e de uma maneira tão unicamente nossa. Poderia ter sido uma música, uma poesia, uma historinha. Mas aqui estou eu... papel, caneta e a sensação de reviver, um a um, nossos tantos momentos em cada palavra rabiscada.
E sabe quando, quase brincando, eu te falei sobre pontos energéticos? Parece que foi ontem, não? E mesmo depois de olhar pra trás e ver que o tempo passou; mesmo entre tantas angústias e com toda magia que existe em tudo que de alguma forma nos toca, você ainda queima em mim, pulsa em cada pedacinho meu. E aí aquela sensação de que o resto do mundo é pequeno demais diante do que a gente se tornou.
Enfim... Era isso que me sufocava quando disquei seu número de madrugada. Foi isso que estava engasgado e que foi deliberadamente resumido num “eu te amo” quase inaudível.
Queria te entregar esse papel bem do jeito que o vejo agora, com palavras rabiscadas nas margens, tudo aparentemente sem sentido — nossas entrelinhas. Colocaria num envelope com desenhos de corações e enrolado num laço vermelho, mas você ia achar brega demais, não? :p
Melhor não. Deixo aqui no nosso cantinho e espero que chegue logo até você.

Com muito amor e muita breguice,
C.

segunda-feira, 19 de março de 2012

19 de março de 2012

C.

Tuas mãos ainda deslizam sobre a minha pele, teus olhos ainda ferem minha retina com as palavras mais doces que você ainda não conseguiu dizer e tudo isso dói, dói como uma lembrança distante.
Uma falta que não cessa, uma saudade que não passa e tua voz repetindo um milhão de vezes “fica!”. Não havia no mundo lugar em que eu quisesse estar. Era em você a minha casa.
Teu corpo me cantava versos, tua respiração ditava o ritmo e por tais “frações de eternidade”, não havia nenhum mundo lá fora.  Éramos apenas nós num plano perfeitamente sonhado. O quarto cheio do cheiro dos nossos corpos embriagados, as sombras das folhas nos fazendo companhia através do vidro, o silencio, as luzes, o beijo, o toque...
Deitada aqui, fecho os olhos e volto a estar ao teu lado. A cama parece girar... Os arrepios sinalizam teu toque e, outra vez, consigo sentir teus beijos, mais que isso, teus lábios quentes percorrem as curvas se impregnando de gosto, de fome, de sede. Eu quero ficar, te deixo ficar e ali, imóvel, sou tua.
Não quero abrir os olhos. Ainda sinto teu cheiro, o sabor do teu sexo ainda alimenta meus delírios mais absurdos...  Toco teu rosto sob os reflexos de uma noite que nunca mais vai acabar e desenho teus lábios em beijos intermináveis... Tenho suspirado mais que conseguido respirar.
Abro os olhos, enfim. Acho que tenho uma lágrima. Mas você esteve aqui e coube direitinho entre meus braços.

Apaixonadamente, Sam.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

08 de fevereiro de 2012

"Tudo estranhamente claro e silencioso por aqui.

Busquei pelos meus pensamentos bagunçados algum motivo para justificar estas linhas e só consegui te ver sentada ao meu lado olhando o sol se pôr.

Agora a sua lua ilumina a noite enquanto o meu amor ecoa docemente compassado nas batidas em meu peito. Cada gota de vida e todas as estrelas do céu te trazem para o meu presente, como vento movimentando nuvens.

E é bem assim que te enxergo. Aqui e agora. Meu presente...

O futuro? Aguardamos. Ele sabe esperar."


C.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

06 de janeiro de 2012

Sam,

Sei que prometi não soltar tua mão...
É tarde, você deve estar dormindo. Não adianta te mandar esta carta agora, vai ser como jogar palavras ao vento e esperar que elas encontrem o caminho até você. Faço isso esperando que elas voem depressa. Provavelmente não terão o mesmo efeito quando o sol começar a nascer.
Não, essa não é uma carta de despedida. Talvez com ela você entenda o que não estou conseguindo explicar, talvez fosse mais fácil te mandar um buquê de flores, talvez seja melhor desaparecer. Não, essa não é uma carta de despedida.
Nem poderia ser. Não depois de vislumbrar por instantes o que, tenho certeza, nenhum ser humano poderia descrever com clareza; não depois de um dia inteiro com seus olhos, suas histórias. Não assim, não agora. Agora, neste exato momento, estou bem diante de você e sentindo tudo aquilo de novo. Vejo ainda o medo no seu olhar, e você tão perto que quase posso sentir o gosto. Mas não são lembranças!
Sei que prometi não soltar tua mão - essas palavras escapam de mim agora. Deixo o vento levar a promessa que te fiz... aqui não é o lugar dela, não cabe. E quando você duvidar, ela vai te alcançar. Olhe para os lados, procure com atenção, minha promessa estará lá.



Sempre...
C.

05 de janeiro de 2012

Sam,

Não vou soltar tua mão.
Não vou deixar de te levar comigo.
Não vou parar de imaginar minha vida ao seu lado.
Não vou parar de te olhar.

Você vai cair
E não haverá abraços.
Eu estarei ao seu lado
E mesmo assim não vou soltar a tua mão.

Sempre serei eu lá.
Invisível ou evidente. De corpo. De alma.
No caminho errado ou na realidade dos sonhos.
Sem asas. Sem dor e angústia.

E que dure a fração de segundos de uma eternidade
Que seja a eternidade numa fração de segundos
Em cada passo, cada gota de sangue, cada respiração
Olhe pro lado e eu estarei segurando a tua mão.


Sempre...
C.

05 de janeiro de 2012

C.

O chão se aproxima.

A poeira já me cega e as feridas sangram abertas antes mesmo do impacto.

A gente devia ter visto o mundo lá de cima, devíamos ter cuidado das asas que nos fariam alçar os mais belos voos e até quando mergulhássemos no vão, com elas seríamos livres, estaríamos seguras.

Estou no meio de uma queda livre e não há abraços lá embaixo.

Por enquanto, o vento bagunça os cabelos e leva embora os fios dourados que você costumava enrolar entre os dedos, sinto lágrimas escorrendo em direção à nuca, os lábios se movem involuntariamente e, dessa vez, é diferente de sonhos com seus beijos.

Me esforço e, quase no chão, grito que te amo. Minha voz chega a fazer eco, mas você não responde. Não há mesmo abraços lá embaixo.

Cabe uma eternidade inteira entre a segurança e o fim e eu poderia descrever cada átimo numa nova súplica por socorro, mas vou preferir calar, fingir mergulhar no olhar que prendeu para sempre os meus últimos desejos e esperar que você os guarde, os mate ou simplesmente, os saiba.

O chão se aproxima. Não há flores onde borboletas possam pousar.

- Eu pude prever. Você me tirou do chão e o que fazer se já não tenho asas? Não me deixe cair. Não solte a minha mão.

Desesperadamente, Sam.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

28 de dezembro de 2011

C.,

De nada adianta agora imagens de quartos vazios e tão cheios de nós e nossas tintas azuis. Asas de borboletas, flores de todas as cores, chuva de estrelas, tudo em vão.

Em noites como essas, em que o frio toca a pela quase como a ausência de um abraço e a escuridão da noite me faz entender que nem o mais alto dos meus voos vai me fazer te alcançar, encontro espaço suficiente para sua falta no horizonte que parte daqui da minha janela.

Te sinto em cada volta sem curvas, lá, no mais distante dos meus olhos, no menor pontinho brilhando no céu e em todo o resto que existe entre os meus cílios e os teus. E poderia ser o universo inteiro, ainda assim te saberia lá.

Mas dói. Dói e tira o sentido das cores, dos sons.

Descobri que já não adianta te procurar em outras faces na rua, e confundir teu sorriso com constelações só tem me feito morrer um pouquinho mais cada vez que anoitece.  Por isso mais uma carta. E ela vai outra vez de falar de saudade, da falta que você faz, das lembranças de cada detalhe teu que insiste em povoar meus sentidos e vai levar em cada letrinha um pedaço de mim.

E você vai sentir, eu sei.


Explodindo de saudade, Sam.