quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

08 de fevereiro de 2012

"Tudo estranhamente claro e silencioso por aqui.

Busquei pelos meus pensamentos bagunçados algum motivo para justificar estas linhas e só consegui te ver sentada ao meu lado olhando o sol se pôr.

Agora a sua lua ilumina a noite enquanto o meu amor ecoa docemente compassado nas batidas em meu peito. Cada gota de vida e todas as estrelas do céu te trazem para o meu presente, como vento movimentando nuvens.

E é bem assim que te enxergo. Aqui e agora. Meu presente...

O futuro? Aguardamos. Ele sabe esperar."


C.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

06 de janeiro de 2012

Sam,

Sei que prometi não soltar tua mão...
É tarde, você deve estar dormindo. Não adianta te mandar esta carta agora, vai ser como jogar palavras ao vento e esperar que elas encontrem o caminho até você. Faço isso esperando que elas voem depressa. Provavelmente não terão o mesmo efeito quando o sol começar a nascer.
Não, essa não é uma carta de despedida. Talvez com ela você entenda o que não estou conseguindo explicar, talvez fosse mais fácil te mandar um buquê de flores, talvez seja melhor desaparecer. Não, essa não é uma carta de despedida.
Nem poderia ser. Não depois de vislumbrar por instantes o que, tenho certeza, nenhum ser humano poderia descrever com clareza; não depois de um dia inteiro com seus olhos, suas histórias. Não assim, não agora. Agora, neste exato momento, estou bem diante de você e sentindo tudo aquilo de novo. Vejo ainda o medo no seu olhar, e você tão perto que quase posso sentir o gosto. Mas não são lembranças!
Sei que prometi não soltar tua mão - essas palavras escapam de mim agora. Deixo o vento levar a promessa que te fiz... aqui não é o lugar dela, não cabe. E quando você duvidar, ela vai te alcançar. Olhe para os lados, procure com atenção, minha promessa estará lá.



Sempre...
C.

05 de janeiro de 2012

Sam,

Não vou soltar tua mão.
Não vou deixar de te levar comigo.
Não vou parar de imaginar minha vida ao seu lado.
Não vou parar de te olhar.

Você vai cair
E não haverá abraços.
Eu estarei ao seu lado
E mesmo assim não vou soltar a tua mão.

Sempre serei eu lá.
Invisível ou evidente. De corpo. De alma.
No caminho errado ou na realidade dos sonhos.
Sem asas. Sem dor e angústia.

E que dure a fração de segundos de uma eternidade
Que seja a eternidade numa fração de segundos
Em cada passo, cada gota de sangue, cada respiração
Olhe pro lado e eu estarei segurando a tua mão.


Sempre...
C.

05 de janeiro de 2012

C.

O chão se aproxima.

A poeira já me cega e as feridas sangram abertas antes mesmo do impacto.

A gente devia ter visto o mundo lá de cima, devíamos ter cuidado das asas que nos fariam alçar os mais belos voos e até quando mergulhássemos no vão, com elas seríamos livres, estaríamos seguras.

Estou no meio de uma queda livre e não há abraços lá embaixo.

Por enquanto, o vento bagunça os cabelos e leva embora os fios dourados que você costumava enrolar entre os dedos, sinto lágrimas escorrendo em direção à nuca, os lábios se movem involuntariamente e, dessa vez, é diferente de sonhos com seus beijos.

Me esforço e, quase no chão, grito que te amo. Minha voz chega a fazer eco, mas você não responde. Não há mesmo abraços lá embaixo.

Cabe uma eternidade inteira entre a segurança e o fim e eu poderia descrever cada átimo numa nova súplica por socorro, mas vou preferir calar, fingir mergulhar no olhar que prendeu para sempre os meus últimos desejos e esperar que você os guarde, os mate ou simplesmente, os saiba.

O chão se aproxima. Não há flores onde borboletas possam pousar.

- Eu pude prever. Você me tirou do chão e o que fazer se já não tenho asas? Não me deixe cair. Não solte a minha mão.

Desesperadamente, Sam.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

28 de dezembro de 2011

C.,

De nada adianta agora imagens de quartos vazios e tão cheios de nós e nossas tintas azuis. Asas de borboletas, flores de todas as cores, chuva de estrelas, tudo em vão.

Em noites como essas, em que o frio toca a pela quase como a ausência de um abraço e a escuridão da noite me faz entender que nem o mais alto dos meus voos vai me fazer te alcançar, encontro espaço suficiente para sua falta no horizonte que parte daqui da minha janela.

Te sinto em cada volta sem curvas, lá, no mais distante dos meus olhos, no menor pontinho brilhando no céu e em todo o resto que existe entre os meus cílios e os teus. E poderia ser o universo inteiro, ainda assim te saberia lá.

Mas dói. Dói e tira o sentido das cores, dos sons.

Descobri que já não adianta te procurar em outras faces na rua, e confundir teu sorriso com constelações só tem me feito morrer um pouquinho mais cada vez que anoitece.  Por isso mais uma carta. E ela vai outra vez de falar de saudade, da falta que você faz, das lembranças de cada detalhe teu que insiste em povoar meus sentidos e vai levar em cada letrinha um pedaço de mim.

E você vai sentir, eu sei.


Explodindo de saudade, Sam.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

27 de dezembro de 2011

Sam,

Estava me sentindo tão tola olhando pra essa folha em branco sem conseguir articular as ideias, que quase desisti de te escrever estas linhas. Pensei em começar pelo final, assinar meu nome sem falar absolutamente nada; pensei em apenas dizer que sinto sua falta; pensei em deixar meu silêncio te falar tudo que grita em mim. Eu não poderia fazer muitas coisas agora, mas poderia sair correndo e gritando seu nome até te encontrar ou continuar aqui paralisada revivendo nossas lembranças. Poderia ir dormir e esperar meu sonho te trazer pra mais perto.
Eu poderia te escrever uma carta... te dizer tudo. Você saberia de tudo e acabaria com as dúvidas que, eu sei, rondam sua cabecinha de borboleta. Eu te diria de novo tudo o que você já sabe só por imaginar que as borboletinhas têm efeito bem mais agradável em outros lugares. Te contaria tudo que você nunca pensou em saber, o que nunca imaginou perguntar. Me faria do avesso só pra você.
Aí você entenderia que o meu silêncio de agora é falta, é dor. Não a dor habitual, aquela que a gente imagina que vai passar logo, aquela que nos faz escrever cartas doces e tristes, misturar prosa e poesia. Essa dor queima, cala e cega. É a dor de perceber que não te ter por perto é como andar sem chão, viver sem rumo, sonhar sem futuro.
E agora, olhando pra esse papel, mesmo depois de letras tortas, rabiscos borrados e sonhos despejados, me sinto estranha, tonta... tola. Talvez como nunca tenha me sentido antes, mas disso você já sabe.

Com muito amor,
C.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

20 de dezembro de 2011

Querida C.


Você se despede e tudo simplesmente fica cinza. Fico meio atrapalhada sem saber o que fazer das horas.

Talvez eu tenha todas as palavras nas frases prontas, mas eu não sei o que fazer. Ando zonza pela casa, vagando sem entender bem o que não tem mesmo explicação; te procuro atordoada com minhas lembranças e percebo o tamanho do vazio que tem na minha sala sem a luz dos teus olhos.

Ausente qualquer bela canção, qualquer brincadeira boba. Eu agora não encontro tuas mãos nem para brincar com teus dedos e eu precisava de um abraço, sentir teu toque acalentando meu suspiro de saudade.

Cinza. Mas se tinge de vermelho, como o céu desse lado da cidade, como as outras horas e o desejo que me levam até você.

Tudo parece meio vazio, certamente, nem a carta vai conseguir falar de tudo o que eu queria gritar aqui da janela, mas é mesmo triste, é vazio, frio. E só. O resto acho que você consegue entender.
Com amor, Sam.